Flavio Franco

Autor de joias e artista plástico orienta seu desenvolvimento artístico para a joalheria como forma de arte, utilizando materiais altamente nobres e mesclando-os a materiais alternativos em seu trabalho.

É professor de joalheria há mais de 25 anos, tanto em seu ateliê quanto em faculdades, e desenvolve seu trabalho de criação junto à empresas e artistas.

Durante as duas últimas décadas expôs em diversas galerias.

  • Graduado em Artes Plásticas pela FAAP buscou no seu curso em licenciatura um maior aprimoramento pedagógico.
  • Pós-Graduado em Mídias Digitais pelo IED o fez uma pessoa atualizada com o momento e tendências deste mundo veloz.
Flavio Franco Ouvire

Percurso da Criação


Minha carreira teve início de forma precoce, nos moldes dos antigos ofícios; de mestre para aprendiz, ou melhor, de tio para sobrinho no meu caso. Acho que o fogo foi o meu primeiro registro, a arte de derreter e moldar o metal; tanto que me pergunto se foi pela joia do fogo ou pelo fogo da joia que me fez ser joalheiro! A chama sempre significa um início, uma permanência, a mais pura perfeição.

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A partir daí, se deu o meu aprendizado, primeiro aprendendo o domínio do desenho, habilidade esta que se situa no hemisfério direito do cérebro o qual é responsável pela criatividade e inventividade e, depois, aperfeiçoando noções de escultura e por fim a joalheria. Comecei a compreender as propriedades do metal, suas particularidades, seus humores, e acima de tudo as técnicas deste milenar ofício. Após anos de aprendizado veio a preocupação com a forma, o minuciosamente belo. Quando comecei a prestar mais atenção à forma, muitas referências saltaram à minha percepção; posteriormente entendi que tais referências haviam sido experimentadas e adquiridas ao longo da minha vida: o equilíbrio das coisas, o vazio no espaço e na alma, os ângulos, as linhas retas, tudo o que via eu tentava transformar em formas, moldando a matéria, esticando, torcendo, fazendo com que ela se transformasse num formato inventivamente novo, apaixonadamente desejado, ora de forma bruta, ora com o mais delicado dos movimentos.

Ao longo da minha formação como joalheiro, tendo praticado exaustivamente o domínio da técnica e da compreensão das formas, também me foi requisitado uma compreensão da joalheria como um todo, onde eu descobria que tudo se tornava possível, dependendo da minha dedicação e criatividade para isso ou para aquilo. Quando não se consegue obter um certo resultado, muito provavelmente o joalheiro ainda não descobriu como fazê-lo. A joalheria vira uma brincadeira de moldar e transformar a matéria, agregando outros materiais, misturando a cor e beleza das gemas naturais, compondo assim um universo de formas e cores.

Durante meu curso de graduação em Artes Plásticas na Faculdade Armando Álvares Penteado, trabalhei principalmente com instalações grandes, com as quais eu manuseava o ferro, o gelo, o vidro e outros, criando objetos de porte grande e que viravam joias num contexto específico.

O meu percurso na joalheria sempre esteve associado ao ensino, tanto no meu próprio atelier como em instituições, entre elas Faculdade Armando Álvares penteado, Istitudo Europeu de Design, Escola São Paulo; por esta razão, fui obrigado a compreender os desejos dos alunos e a possibilitar a construção das ideias criadas por eles. Tal experiência me permitiu uma noção mais ampla do desenvolvimento da criatividade, como exercitá-la e transformá-la, criando uma espiral de criação, cada vez mais complexa e elaborada, aperfeiçoando-a até o ponto de sua concretização. Este processo criativo, direta ou indiretamente, sempre fez parte de meu trabalho. Não obstante, ao longo desses anos, o experimento de mistura de matérias e formas se tornou algo constante, permitindo-me maior destreza e conhecimento dos materiais e suas potencialidades.

Já com relação à minha experiência como joalheiro dentro do mercado de consumo de joias, isto é, meu trabalho direto com clientes, sejam eles jurídicos, físicos, designers, etc., eu apreendi a agregar valor para cada trabalho, bem como superar dificuldades que não encontrava no âmbito do ensino, por exemplo. Tendo trabalhado para galerias de arte, executando joias únicas, mesmo para atacadistas ou produções em série e de forma artesanal, desenvolvi uma visão ampla da demanda e anseio dos compradores de joias, assim como uma noção de produção pequena e grande – única ou serial – da joalheria. Esta união de experimento e procura, com a visão apurada dos anseios e desejos do mercado, me fez pesquisar misturas diferentes de materiais e metais, da mesma forma que me fez pensar nas joias em seus vários aspectos de uso e feitio.